domingo, 15 de março de 2009

15/03 - Gigio em casa

Giovanni foi eleito pela torcida: Está entre os 10 maiores ídolos da história do Santos

Neste domingo, a partir das 19h, o torcedor santista que for ao Pacaembu inevitavelmente fará uma viagem no tempo. Mais precisamente ao ano de 1995, onde o maior camisa 10 da história recente do Peixe atingiu o ápice de sua carreira no alvinegro, e ganhou a admiração, ou devoção, dos milhares de santistas espalhados pelo mundo.
Giovanni Silva de Oliveira, nascido na cidade de Abaetetuba, no Pará, em 1972, apelidado por muitos de Messias, ou simplesmente, G10, era dono de um futebol elegante que o trouxe para a Vila Belmiro em 1994 antes de passagens pelos principais clubes locais como Paysandu, Remo e Tuna Luso.
Vencedor da Bola de Ouro da revista Placar em 1995, Gigio definitivamente entrou para história após levar o alvinegro ao vice-campeonato brasileiro daquele ano, com direito a antológica vitória na semifinal de 5 a 2 sobre o Fluminense, de Renato Gaúcho, Vampeta e Cia.
Já em 1996, quando todos os holofotes estavam voltados para o camisa 10 de cabeça vermelha que só faltou fazer chover no estádio Paulo Machado de Carvalho, os dirigentes do Barcelona não pouparam esforços para levar a grande revelação brasileira para o badalado clube catalão, onde faria dupla com Rivaldo (hoje, presidente do Mogi Mirim e amigo pessoal do craque).
Apesar do Messias nunca ter conquistado um título sequer com a camisa do Santos, o meia de estilo clássico chegou a Europa com status de estrela, que mais tarde lhe renderia uma convocação do técnico Zagallo para a Copa do Mundo de 1998, na França.
Em 1999, após ser vice-campeão mundial com a seleção, campeão da Copa do Rei, Recopa Européia e bi-espanhol pelo Barcelona, seu destino era o Olympiakos da Grécia onde foi pentacampeão nacional, e eleito o melhor jogador estrangeiro de 2000 agradando a todos com seu futebol épico, inclusive os troianos.
Mas depois de nove anos longe do Brasil, seu ponto fraco, ou melhor, seu calcanhar de Aquiles, era justamente a saudade da camisa que o consagrou, e em especial, os ares úmidos de Santos, a magia da Vila Belmiro, e o calor de uma torcida que tanto o amava.
De volta à Baixada para formar dupla com o já de saída Robinho, Gigio vestiu o manto pela segunda vez em uma passagem não tão brilhante, mas que vale destaque pela vitória e o golaço sobre o Corinthians no polêmico e fatídico Campeonato Brasileiro de 2005, manchado pelos escândalos de arbitragens e os suspeitos esforços em benefício do arqui-rival.
Com esses olhos que terra há de comer, testemunhei a revolta de Giovanni na remarcada partida da Vila e compreendo a sua atitude em chutar a bola para o alto em sinal de protesto, porque além de um grande jogador, por baixo daquela camisa branca havia também um torcedor declarado.
Por isso, e por tudo que fez com a camisa alvinegra, amanhã é dia de um reencontro. Amanhã é dia de jogo do Santos no Pacaembu, no palco de suas melhores exibições. Amanhã é dia de voltar no tempo. Amanhã é dia, mais uma vez, talvez a última, de ver Messias em campo.

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